O Baile da Máscaras - Capítulo 4

Eu realmente não sabia o que estávamos fazendo no Center Norte, lá nunca teve loja de fantasia ou alguma que vendesse máscaras, mas a Mari jurava que iríamos encontrar o que queríamos aqui.
 - Você... Ficou sabendo do Arthur? – Mari perguntou, com cautela
 - Que ele está com a Bia? Você nem tem idéia de como eu descobri... – respondi, e então contei tudo o que tinha acontecido semana passada.
 - Tem jeito pior de descobrir que seu melhor amigo está namorando do que pelo seu ex que já pegou a atual namorada do seu melhor amigo? – disse ela, rindo
 - Não, não tem. Você sabe que eu nunca gostei da Bia, não queria que eles namorassem.
 - Eu sei.  Mas ela sempre o quis, e deve ser por isso que não gosta de você, afinal, é a melhor amiga dele, e...
 - E o que?
 - Nada não. Olha a loja ai – ela disse, pegando a minha mão e me arrastando pra loja. O que ela queria me dizer? Seja lá o que for, esqueci quando entrei na loja. Nunca a vi, e me lembraria se a visse, era linda e chamava muito a atenção, principalmente porque tem a estampa de uma máscara dourada gigante nas portas de vidro. Entramos na loja que estava vazia, e por todo o lado tinha máscaras, brancas, pretas, as que escondiam apenas os olhos, as que tampavam o rosto inteiro, masculinas femininas, extravagantes, e várias outras, deve ser impossível não achar uma máscara naquela loja.
 - Posso ajudar? – disse uma atendente da loja, bondosamente. Ela é loira, tem os olhos azuis e um sorriso bondoso que conforta qualquer um. Gostei dela assim que a vi, parecia um tipo de fada madrinha.
 - Estamos procurando a máscara perfeita. Duas na verdade. – disse a Mari
 - Vocês vieram ao lugar certo. Venham, vou lhes mostrar as máscaras mais lindas que já viram.
                          
            Mari achou a sua máscara perfeita em menos de 30 minutos, uma máscara branca meio brilhante, com detalhes feitos com pérolas e lantejoulas, e algumas penas do lado direito. A máscara se encaixou perfeitamente em seu rosto, e ela ficou linda, mas a minha máscara era impossível de achar.
 - Desculpem garotas, mas essa é a última máscara que temos. – disse a atendente, Ana.
- Ah, sério? Não tem mais nenhuma? – perguntei já bem triste. Ela olhou pra mim com cara de quem realmente queria ajudar, até que seu rosto se iluminou, como se tivesse se lembrado de algo. Ela fez sinal para nós esperarmos, foi para o fundo da loja e voltou com uma caixa de madeira preta.
 - Estava guardando essa máscara para uma cliente especial, e acho que ela é você. – A vendedora então colocou a caixa em cima do balcão de vidro e a abriu. Dentro dela tinha a mascara mais linda que eu já tinha visto em toda a minha vida. Era toda preta e feita de plástico, sua parte superior tinha os contornos da ponta de uma coroa, e toda ela tinha detalhes majestosos e circulares.
 - Ela é... Ela é perfeita! – eu disse, pegando a máscara e colocando no meu rosto. Virei-me para a vendedora e para a Mari, e elas fizeram cara de surpresa. Curiosa, me virei para o espelho, e não acreditei quando vi. Ela se encaixava perfeitamente no meu rosto, e eu ficava praticamente irreconhecível com ela.
 - Não tem como ser outra. Vou levar.

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 - Vou tentar achar um taxi, já volto – disse a Mari, me deixando na porta do shopping. A Mari tinha finalmente devolvido o meu celular, e o V. respondeu minha pergunta sobre o baile, disse que essa também era uma pergunta proibida. Jesus será que tem alguma pergunta que eu possa fazer pra ele?
 - O que tanto você olha nesse celular? – disse a voz de um garoto. Virei
 - Diego! – eu disse, abraçando ele. Diego é um velho amigo, éramos bem próximos no 2° ano, ele só perdia pro Arthur, mas ele resolveu ir cursar o 3° ano na Austrália, e faz já um tempo que eu não o via. Estava mais alto, a pele mais bronzeada, os cabelos morenos, que antes caiam na sua testa, agora estavam curtos e arrepiados, seus olhos azuis tinham agora um brilho diferente. Ele estava mais bonito.
 - Quanto tempo eu não te vejo! Quando você voltou?
 - Faz duas semanas, mas quase não paro em casa. Tive que fazer um monte de coisas desde que voltei, inclusive uma prova na nossa escola.
 - Por que? Você não se formou lá?
 - Sim, mas eu precisava provar isso aqui. Então é como seu eu tivesse me formado com você.
 - Que bom que voltou, estava morrendo de saudades
 - Eu ia te ligar hoje, assim que chegasse em casa, mas acabei te encontrando aqui. Já sabe do Baile de Máscaras?
 - Claro que sei! Você vai?
 - Vou sim. Não aguento mais viajar, uma feste vai ser bem melhor no ano novo.
 - Manu, achei um taxi... Diego? Você voltou? – disse a Mari, abraçando-o
 - Voltei! Senti saudades de vocês
 - E a gente de você! Temos que sair um dia desses pra você nos contar tudo o que rolou na Austrália.

 - Tem razão, e vocês vão me contar tudo o que aconteceu aqui enquanto estive fora. Mas agora eu tenho que ir meninas, depois a gente se fala. – ele disse, dando um abraço em nós duas e indo embora. Nós entramos no taxi e demos o endereço da sorveteria perto da minha casa.

O Baile de Máscaras - Capítulo 3

Ele parou na porta, e ficou me olhando, esperando uma permissão pra entrar. O nó na minha garganta se apertou ainda mais, mal consegui dizer:
 - Vai embora.
 - Eu não saio daqui enquanto você não me ouvir.
 - Eu não vou te ouvir, e você vai sair daqui.
 - Manu, me escuta...
 - ESCUTAR O QUE? – eu disse, levantando da cama e fechando a porta atrás dele – O PORQUE VOCÊ ESTÁ NAMORANDO? O PORQUE VOCÊ ESTÁ NAMORANDO LOGO A BIA? OU O PORQUE VOCÊ NÃO ME CONTOU ISSO ATÉ AGORA? – eu já estava enxergando tudo embaçado, mas eu não ia chorar, não na frente dele.
 - Isso tudo é ciúmes? – perguntou ele, ameaçando um sorriso. Ele perdeu a cabeça? Esse moleque quer morrer?
 - Se isso é ciúmes? – eu disse, chegando mais perto dele e estapeando seu peito – é claro que é ciúmes Arthur! Você não vai ser mais o mesmo comigo, você não vai mais ligar pra mim, não – vai – nem – lembrar – que – eu – existo – eu disse, entre tapas que eu dava nele. Ele segurou meus dois pulsos enquanto eu batia nele, de um jeito firme, mas sem me machucar. Droga, porque até nessas horas ele é gentil?
 - Olha pra mim Manu – disse ele, de novo, não era um pedido, mas também não era agressivo. Arthur 2, Manu 0. Eu olhei nos olhos dele, e então ele sorriu.
 - Você nçao precisa ter ciúmes, garota nenhuma vai tomar o seu lugar. Eu não vou mudar com você, isso é uma promessa. Se eu não te contei antes, foi porque não sabia como dizer isso pra você, ainda mais sendo a Bia, eu estava escolhendo a hora certa, as palavras certas, desculpa se te magoei. Manu, eu te amo, você é a minha melhor amiga, eu nunca vou te deixar, entendeu?
            Eu afirmei com a cabeça, mas não agüentei mais, e comecei a soluçar, ele me abraçou e eu chorei em seu peito, e sem querer coloquei tudo pra fora. Ele me levou pra minha cama, me deitou e colocou a minha cabeça em seu colo, e enquanto eu chorava, ele passava a mão nos meus cabelos.
 - Arthur – eu disse, quando consegui me controlar
 - O que? – ele disse, olhando pra mim.
 - Não me leva a mal, não é que eu não q-quero que v-v-você namore, mas é que você é t-tão importante pra mim, eu t-tenho tanto medo de te p-perder... eu p-preciso da sua a-amizade...
 - Eu sei, eu também preciso de você, e também estaria morrendo de ciúmes se fosse você que arranjasse um namorado. Mas agora vamos esquecer tudo isso, hoje eu sou só seu – ele disse, com um sorrisinho que ele sempre dava quando me via. Eu o abracei, e o cheiro dele estava... diferente, melhor. Nunca mais vou me esquecer desse dia.

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Querido diário
Hoje faz uma semana que o Arthur ta namorando, e duas semanas que descobri o Baila de Máscaras, o que significa que daqui mais duas semanas é finalmente o dia do baile! Estou muito animada!!!
Falando em animada, o tal do V. nunca mais veio falar comigo, não me chamou mais no Face, não me mencionou no Twitter, não me perguntou mais nada na Ask, nada, ele sumiu!!! Queria muito descobrir quem é esse garoto, depois de tudo o que ele me disse... Não sei, fiquei mexida. A Mari me disse pra não criar expectativas, e pediu pra eu desistir do cara, ela acha que ele pode ser um pedófilo ou alguma coisa assim, mas eu sinto que não, sinto que ele está tão perto... Mas não sei onde, e isso me irrita!
Só queria que ele desse sinal de vida...”
 
            Fechei o meu diário e sai da cama, ás 10 horas da manhã. Tomei um banho e vesti um vestido pra ir pro shopping tentar achar a máscara perfeita (http://www.polyvore.com/cgi/set?id=86491567&.locale=pt-br) e desci pra tomar café da manhã. Como hoje é terça, minha mãe já foi trabalhar, então peguei um pouco de leite e sucrilhos e comi vendo Bob Esponja. Assim que acabei, lavei a minha tigela, subi pro meu quarto, escovei os dentes, penteei meu cabelo, peguei meu casaco e minha bolsa e desci bem na hora em que a Mari tocou a campainha.
 - Pronta? – perguntou ela, quando eu abri a porta
 - Prontíssima. Vamos?
 - Vamos – disse ela, indo em direção ao taxi que ela veio até a minha casa. Entramos nele e ela pediu pra que ele nos levasse até o Center Norte, e ele dirigiu. A Mari então colocou os fones de ouvido, ela não gostava de conversar com um taxista nos ouvindo, e eu recebi uma mensagem de um número restrito. Desconfiada, abri a mensagem:
Já está sentindo a minha falta?
V.
            Ainda bem que a Mari está viajando com os fones de ouvido. Dei um sorrisinho, eu realmente estava sentido a falta dele, e respondi:

Nossa, achei que você já tinha desistido de mim...
Manu

Desistir de você? Acho mais fácil o Logan Lerman bater na sua porta amanhã do que eu desistir de você
V.

Como sabe que eu sou fã do Logan Lerman? E como conseguiu o meu número?
Manu

Já te disse que sei de mais coisas sobre você do que imagina, e, como eu também já disse, te conheço muito bem.
V.

E quando é que vai me dar mais dicas de quem você é?
Manu

Agora
V.

            Meu coração disparou. A hora é agora, eu preciso arrancar dele tudo o que eu posso, preciso descobrir quem é ele!

Qual a sua banda favorita?
Manu

Pergunta errada. Próxima.
V.

Ei! Por que não posso saber disso?
Manu

Porque eu sou muito fã dessa banda, se eu contar qual é você descobre na hora quem sou. É a mesma coisa que perguntar o meu nome.
V.

Falando em nome... Esse V, é a inicial do seu nome?
Manu

É uma delas. Meu nome é composto, mas os meus dois sobrenomes, o que resulta em 4.
V.

E o V é a inicial de qual dos nomes?
Manu

E você acha mesmo que eu vou te responder essa pergunta? Rsrsrs
V.

Não, mas eu tinha que tentar. Qual é a cor dos seus olhos?
Manu

Então, mais uma regra: pode me perguntar sobre a minha aparência, mas só uma coisa, ou seja, se eu te responder qual a cor dos meus olhos, não respondo mais nenhuma pergunta sobre como sou. Pelo menos por enquanto.
V.

            Caramba, ele pensa em tudo! E agora eu tenho que pensar. O que, na aparência dele, tem mais chance de se diferenciar mais de outros garotos? Cabelos eu sei que não, conheço vários morenos e loiros. Cor dos olhos? É fácil diferenciar se a cor dos olhos dele for diferente, mas se forem castanhos eu to ferrada. Não, tinha que ser algo que quase nenhum garoto tem, algo que eu goste na aparência de um garoto. Logo pensei em sorriso, mas não tem como eu perguntar como é o sorriso dele. Já sei:

Mudei de idéia. Você tem covinhas?
Manu

Droga, é uma ótima pergunta! Mas eu prometi responder. Sim, eu tenho covinhas. =D
V.

E o Baile de Máscaras, pode falar sobre ele?
Manu

 - O que você está fazendo? – perguntou a Mari, tirando os fones de ouvido e pegando o meu celular
 - Não é nada... – eu disse, tentando tirar o celular da mão dela
 - Perai, esse não é o seu admirador? Manu, você deu seu número pra ele?
 - Não Mari, ele já sabia!! – eu disse, irritada
 - Manu, e se ele for um...
 - Ele não é! – eu disse, antes que ela terminasse – olhe as mensagens, um pedófilo faria perguntas assim pra mim? – eu disse, quando já estávamos dentro do shopping
 - Eu vou olhar, mas depois, e você não vai conversar com ele hoje, vamos comprar as máscaras.
 - Mas Mari, e se a minha mãe me ligar... ?
 - Não tem problema, eu atendo
 - Mas...
 - Sem mas, vamos procurar as máscaras.

 - Okay – eu disse, e ela me arrastou pra mais dentro do shopping.